Thursday, August 09, 2007

Conferindo Berlim da "água" 2





No mesmo barco: meu pai, professor Antonio Luiz Gomes, Aldacy e Thomas, a Alda do Café do Brasil e o simpático casal Luiz e Débora, que residem no Rio e estavam de passagem pela capital da Alemanha.






























Wednesday, August 08, 2007

Conferindo Berlim da "água"

















Vários passeios de barco podem ser feitos na capital da Alemanha.

Com preços, roteiros e duração variada, a empresa Stern und Kreis oferece um leque de opções que vale a pena conferir.

As fotos a seguir são do passeio que sai do Hackescher Market, custa 7,00 euros e dura cerca de uma hora passando pelos principais pontos turísticos próximos ao Spree.

Um guia, devidamente fantasiado, explica a história durante o trajeto em alemão. Para os que não dominam a língua, é oferecido uma brochura em inglês.

Adorei!




































































































Friday, July 20, 2007

Hertha tem novo brasileiro no elenco

Por SANDRA MEZZALIRA GOMES e ALEXANDRE LOZETTI

Mais uma vez o colega ALEXANDRE LOZETTI que mora em São Paulo e trabalha para um grande veículo de comunicação especializado em esporte traz notícias exclusivas para os torcedores do Hertha.

A pedido do Berliner Zeitung (BZ), Alexandre entrevistou por telefone o mais novo jogador do time da capital alemã, Lucio Carlos Cajueiro de Souza, o Lucio.

A tradução para o alemão foi feita pela repórter que redige este texto e a matéria foi publicada na última segunda, 16, com chamada na capa.

A seguir, na íntegra e com exclusividade já que tal texto só saiu em alemão e na capital germânica, a reportagem com Lúcio, por ALEXANDRE LOZETTI.

"A partir desta semana, o Hertha Berlin terá outro brasileiro em seu elenco. Depois de Mineiro e Gilberto, que defenderam a Seleção nacional na Copa América, o lateral-esquerdo Lúcio chega credenciado por ter sido um dos principais jogadores do Grêmio, vice-campeão da Copa Libertadores, derrotado apenas pelo Boca Juniors de Riquelme.

Lúcio fez sua despedida do clube gaúcho neste sábado e, após realizar os exames médicos, vai assinar contrato de quatro anos com os alemães.

Aos 28 anos, será sua primeira experiência fora do Brasil, algo raro já que os atletas brasileiros têm saído antes mesmo dos 20 anos.

O lateral, porém, não vê a transferência tardia como um problema, pelo contrário. “Depois do que passei em outros clubes, tive um grande crescimento. Claro que ainda procuro corrigir uma coisa ou outra, mas é a idade ideal para sair”.

Lúcio realmente passou por experiências diversas na carreira. Surgiu como promessa no modesto Ituano, em 2002, quando conquistou o Campeonato Paulista, sem a participação dos principais clubes (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo).

No ano seguinte, ajudou o Palmeiras a amenizar o maior vexame de sua história e retornar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Depois disso, teve péssimas experiências na equipe, foi perseguido pelos torcedores e acabou migrando para o rival São Paulo, onde foi campeão brasileiro – ao lado de Mineiro, mais uma vez seu companheiro -, mas no banco de reservas. ]

Somente no Grêmio reencontrou o futebol do início da carreira. E credencia o sucesso ao técnico Mano Menezes. “Ele soube extrair de mim as melhores qualidades. Tenho um apoio muito bom, não adianta pegar um jogador que tem dificuldade para defender e colocá-lo apenas para isso. Nos outros clubes, não tiveram essa paciência comigo”.

O ótimo desempenho despertou o interesse do Hertha. Após dois meses de negociação intensa, o manager Dieter Hoeness esteve em Porto Alegre para fechar a contratação. Ao lado de um intérprete, evidentemente.

O idioma é o grande problema que Lúcio terá que enfrentar em Berlin, mas conta com a ajuda dos companheiros brasileiros, das aulas particulares que terá no clube e de sua força de vontade para se tornar um “alemão” o mais rápido possível. “Vou procurar andar com outros jogadores quando estiver no clube, falar pelo menos o mínimo em pouco tempo. Sou um cara brincalhão e sempre fiz muitos amigos, não vai ser diferente”.

Lúcio, quando surgiu o interesse do Hertha em sua contratação?

Logo depois da primeira partida da final do Campeonato Gaúcho, em que perdemos para o Caxias. No segundo jogo, conseguimos reverter o placar e fiz um gol. A negociação durou toda a fase final da Libertadores e, agora ,foi concretizada.

E depois de alguns problemas e outros ótimos desempenhos no Brasil, qual a expectativa para jogar no Hertha?

A motivação está renovada. Muita gente disse que não dei certo no São Paulo, mas não tive oportunidades e fiquei apenas seis meses. É diferente de não dar certo. Agora é outro patamar, outra coisa, outro clima.

É sua primeira experiência na Europa?

A única vez que joguei na Europa foi uma excursão pelo Ituano, em 2002, quando passamos 40 dias na Alemanha.

Em que cidades? Passou por Berlin?

Ah, foram muitas cidades, nem consigo te dizer quais. Mas não estive em Berlin.

Então, para você, é uma experiência completamente nova?

Para mim vai ser tudo novo. Houve propostas para permanecer no Brasil e até para jogar em outros países, mas sempre coloquei como prioridade que queria uma saída não apenas para constar no currículo.

Queria também uma estabilidade financeira para mim e minha família, e o Hertha ofereceu um contrato longo, uma aquisição definitiva, sem ser empréstimo.

Foi isso que te fez optar pelo Hertha em vez de outros países?

Escolhi a Alemanha pela tradição do Hertha, por já ter dois brasileiros no elenco, o Mineiro e o Gilberto. Também por não ser empréstimo. Tudo se encaixou perfeitamente, os fatores coincidiram. É o momento certo.

Você está com quantos anos?

28 anos.

Normalmente os brasileiros saem mais cedo, muito novos. Você encara essa saída tardia como algo preocupante ou pode ser vantajoso?

É vantajoso. Depois do que passei em outros clubes, tive um grande crescimento. Claro que ainda procuro corrigir uma coisa ou outra, mas é a idade ideal para sair e me adaptar a outro país, outra cultura.

E quais dificuldades externas você espera encontrar em Berlin? O frio, o idioma, a saudade do Brasil?

Em termos de temperatura, frio por frio, Porto Alegre está gelado também. A gente vai se adaptando, apesar de ser verão agora em Berlin. Isso é normal. A maior dificuldade mesmo será o idioma, mas com o tempo vou aprendendo.

O fato de haver dois brasileiros lá vai abrandar um pouco essa dificuldade?

Principalmente por isso também. O Mineiro está com intérprete ainda, mas uma palavra ou outra a gente vai aprendendo. Ninguém vai falar alemão do dia para a noite, mas vou me empenhar muito, ter aula particular no clube. Isso vai ajudar.

Você negociou diretamente com o Hoeness, manager do clube?

Primeiro veio o gerente de futebol, que é realmente quem conduz as negociações. Depois ele passa ao Dieter Hoeness, que é o presidente e só ele fecha a parte financeira. Ele veio a Porto Alegre para fechar o negócio.

Com um intérprete, eu suponho.

Claro, isso é normal, ele sabe que o jogador não fala o idioma.

Acha que seu estilo de jogo vai se encaixar no Hertha?

A Copa Libertadores me fez crescer muito. Deve ser o mesmo estilo e já estou adaptado, uma arbitragem que não marca qualquer falta, não existe bola perdida. E pelo fato de o Hertha ser uma grande equipe, a parte técnica também deverá ser muito utilizada.

Por que você teve no Grêmio o sucesso que não encontrava há algum tempo, desde seu início no Palmeiras?

O Mano Menezes, técnico, soube tirar todas as minhas qualidades. Tenho um apoio muito bom e ele procurou usar isso. Não adianta pegar um cara que não tem a virtude apenas de defender tanto e colocá-lo só para fazer isso. Tem de procurar usar a qualidade do jogador, tenho muita velocidade e ele explorou isso, além de aprimorar minha marcação. Em outros clubes não tiveram essa paciência comigo.

E você acha que o técnico do Hertha terá essa paciência, ou essa sensibilidade de explorar suas principais qualidades?

Também, acho que sim. Ele vai procurar me escalar naquele setor ou nas condições em que realmente estiver precisando e vou me colocar à disposição para atuar onde ele achar necessário.

Você chega agora para fazer exames e assinar contrato. Já fica em Berlin ou volta ao Brasil para resolver mudança?

Já fico definitivamente. Meu irmão e minha esposa que irão resolver essa questão de mudança para mim.

Eles também vão morar com você?

Sim. Minha filhinha de três anos, Maria Eduarda, minha esposa, Patrícia Cristina, e meu irmão, Clécio. Todos ficam em Berlin comigo.

Você já conversou com o Gilberto e o Mineiro depois de fechar negócio?

Não, quem conversou com eles foi o Ranielli, meu empresário. Procurou informações do clube, sobre o estilo de jogo e foram positivas. Quando ele falou da proposta, eles ficaram muito contentes.

Depois de seis meses você volta a jogar com o Mineiro, foram campeões no São Paulo. Dá para repetir o sucesso da dupla?

Vai ser legal, quando a gente vai para outro país fica contente em saber que há outros brasileiros por lá. Joguei contra o Gilberto muito tempo, quando ele estava no São Caetano, e fui campeão brasileiro ao lado do Mineiro. Temos uma certa afinidade e um vai ajudar o outro.

O que você espera no Hertha? Brigar por títulos, por uma vaga na Champions League? Qual seu objetivo?

Pelo time que o Hertha está montando, pode ter certeza que é para disputar títulos. O investimento está sendo alto nesta temporada e é um clube de tradição, isso vai empurrar a equipe para frente.

Você acha que terá de mudar alguma coisa para dar certo na Alemanha?

Não, a única mudança que terá da minha parte é que vou realmente procurar andar com outros jogadores no momento em que estiver no clube, tentando aprender alguma coisa rapidamente. Dá para falar um pouco do idioma. Vejo pelo Schiavi e o Saja, argentinos que chegaram ao Grêmio e não falavam nada de português, mas logo estavam conversando com todo mundo. Vou procurar me entrosar o mais rápido possível.

Gilberto e Mineiro disputaram a Copa América com a Seleção Brasileira. Acha que o Hertha também pode te ajudar a ser convocado pela primeira vez?

Todo jogador sonha com isso e não sou diferente. Mas a convocação depende muito do que o jogador está fazendo no clube. Então, coloco isso em primeiro lugar. Temos que ganhar títulos, nos qualificarmos para as competições européias. Fazendo isso, a Seleção é conseqüência.

Friday, July 13, 2007

Muito mais do que injeção na testa

No Brasil costumamos afirmar que, de graça, até injeção na testa. Se comparar que há uma certa dor na história, até faz um pouco de sentido lembrar do nosso „ditado“ no presente que recebi esta semana.

Soube nesta terça-feira, por meio de uma conterrânea, que um novo salão a inaugurar em Berlim procura „modelos“ para serem depiladas „a lá brasileira“.

Por coincidências da vida, estava para tirar umas seis horas nesta semana para cumprir tal missão sozinha afinal, pagar um salão costuma ser inviável e não posso com cremes, giletes e afins.

Então fui, nesta quarta-feira, servir de, ahn, „modelo-cobaia“. E adorei! O produto, cera com mel, deixou a pele super macia, aprovei completamente.

A garota que fez o trabalho, com a supervisão da profissional mais experiente, demorou um pouco mais do que o normal e pode ter deixado uma ou outra falha mas não dá para reclamar né, ainda mais sem ter de mexer no bolso.

Não sabia que tal „treinamento“ existia e já ouvi que mais um estabelecimento da capital germânica estaria a procura de pessoas dispostas a serem depiladas de graça por estagiárias.

Acredito que todos devam treinar seus funcionários e devem precisar de ajuda para isso! Então a dica é procurar salão de depilação brasileiro da sua região e, se houver um, perguntar se precisam de modelos, deixando o número para contato.

A idéia é excelente: ganha-se uma depilação completa gratuita e se gostar, o estabelecimento provavelmente ganhará um cliente!

No caso deste salão, a experiência deve continuar até o fim de julho. Para os homens está reservada a quinta-feira. Contatos nos telefones (030) 24 0831 21 (de segunda a sabado após 14 horas) ou 0152061561114.

Monday, July 09, 2007

Um ano após o apito final da Copa do Mundo


O domingo desta mesma data no ano passado foi um dia inesquecível para milhões de pessoas, especialmente para quem se encontrava na capital da Alemanha, o palco da final da Copa do Mundo de 2006, onde ocorreu o jogo entre a França e a Itália, que acabou com a expulsão do francês Zidane e a vitória italiana.

A segunda-feira, um ano depois, mostra que os resquícios provavelmente ficarão para sempre.

Coincidentemente pensava em como vivenciei aquela data e neste texto, enquanto caminhava próximo a estação Zoologischer Garten, uma das mais famosas e centrais de Berlim, quando o ônibus da seleção francesa dobrou a esquina!

Sim, ele mesmo, com o símbolo da Fifa e do campeonato, a bandeira azul, branca e vermelha mas, desta vez, quase vazio, apenas com o motorista e uma passageira.

„Uau“, disse na hora praticamente hipnotizada pela cena que não esperava naquele momento, „365 dias atrás, a esta hora, ele levava a seleção do Zidane para o Estádio Olímpico. Agora passeia irreverente pelas ruas da capital, como se quisesse nos lembrar daquele mês maravilhoso em que a Alemanha viveu sua „lenda de verão“...

E ainda lembrei que, cerca de um mês atrás, no Kottbuser Tor, dei de cara com o veículo oficial da seleção de Trinidad e Tobago. Mas não são apenas os ônibus que nos lembram do evento que atraiu a atenção do mundo. Vários trens da BVG, a empresa responsável pelo transporte, ainda estampam nos seus vidros as bolas de futebol que serviram como decoração na época.

Os mais atentos observam outros diversos vestígios: bandeiras penduradas em carros e janelas, latas de lixo com o „Toorr!“ (Gol) pintado, propagandas e placares sobre futebol, decoração de casas e estabelecimentos...

Teria de pesquisar para saber os dados econômicos e turísticos sobre a „repercussão“ da Copa do Mundo e poder fazer uma análise científica. Esta não é a intenção.

Posso apenas afirmar, por experiência e observação, que o comportamento mudou sim: as crianças jogam futebol na rua, de preferência com bolas iguais a feita para 2006, o assunto parece um dos temas prediletos nos bares e restaurantes, as pessoas desfilam com bonés, camisetas, chaveiros, canetas, guarda-chuva, bolsas, casacos, enfim, os mais variados produtos do evento e de suas seleções; existe uma certa cumplicidade com o turista e com o próximo, e sente-se no ar, acima de tudo, um imenso orgulho de ter feito desta terra durante um mês um paraíso para todos aqueles que puderam conferir o mundo entre amigos na Alemanha.

Esta proporciou um maravilhoso espetáculo que deixou saudades.

PS. Apesar de todos os problemas que o Pan está enfrentando no Rio, desejo boa sorte para os organizadores e atletas. Na sexta-feira é a abertura do evento. Mais informações em sites da imprensa brasileira como O Dia, O Globo, O Estado de São Paulo e afins.

Recordar é viver....

Tempestade cancela festa, mas não estraga clima da Copa

Por SANDRA MEZZALIRA GOMES
De Berlim

"Football for a better World. From Germany to South Africa" (Futebol por um mundo melhor. Da Alemanha para a África do Sul). Este era o slogan do evento que seria realizado nesta sexta-feira, dois dias antes da final em Berlim, em frente ao Portão de Brandenburgo, encerrando este 18° Torneio Mundial de Futebol e já de olho no 19° Campeonato, em 2010, na África do Sul.

Ivete Sangalo era uma das atrações esperadas na Fan Meile de Berlim, ao lado de Xavier Naidoo und Wir sind Helden, Die Fantastischen Vier, Youssou N'Dour (Senegal), Freshly Ground (África do Sul) e Sean Paul (Jamaica) numa festa de confraternização entre Alemanha, África e o mundo.

A tempestade que começou por volta das 17 horas, acabou com a festa, programada para às 18. Durante quase duas horas, choveu forte com direito a muitos relâmpagos e trovoadas. Estava então registrando a exposição „Tropicália" na Casa das Culturas do Mundo (Haus der Kulturen der Welt), onde mais tarde Naná Vasconcelos, nascido em Recife, mostrou seu trabalho com percussão e jazz.

Tinha me credenciado para o show do inglês James Blunt, que deveria começar às 18:15, na Mini-arena Adidas. Ao andar o trecho de alguns metros, não apenas fiquei ensopada como tive até medo já que lembrava de uma tempestade em 2001 em Berlim, que deixou muitos estragos e até mortos. Vivi um dos momentos mais angustiantes ao caminhar com dificuldade sob a enxurrada, com o vento virando e quebrando meu guarda-chuva, tentando proteger meu equipamento e rezando para o vendaval não piorar.

Quando finalmente cheguei à porta da mini-arena, o rapaz me avisou que a entrada está suspensa e só „São Pedro" sabia se haveria ou não o concerto. Sugeriu então que eu caminhasse até a entrada do Parlamento (Reichstag), onde avistava uma multidão aglomerada para se abrigar contra a água.

Sem escolhas, andei mais alguns metros para me juntar ao povo e, ao subir a escadaria de um dos prédios mais importantes do governo alemão, mais uma cena surreal para minha coleção: um sanfoneiro com chapéu da seleção alemã animava os "refugiados da chuva" com canções populares como "Que será, será, whatever will be", "La cucaracha", "My Bonnie is over the ocean", além de várias músicas alemãs bem estilo "Oktoberfest".

Uma verdadeira festa ali, embaixo da tempestade, arrancando aplausos e risos de pessoas das mais variadas nacionalidades "vítimas" do tempo naquele momento, mostrando mais uma vez como a vida é mais fácil quando se encara com humor. Os mais animados cantaram e dançaram, outros fotografaram, fato é que, quando a chuva diminuiu, todo mundo pode voltar a rotina com a alma lavada.

O show de Blunt foi realizado com atraso, quase 21:30, mas valeu a pena. Não conhecia muito bem o trabalho deste inglês que começou a cômpor quando entrou para o exército e presenciou a guerra no Kosovo. O evento oficial para mostrar e pedir a fraternidade entre os povos não aconteceu. Mas ficou ali, na festa improvisada em frente do Reichstag, uma prova de que esta confraternização existe sim, só depende de cada um.

PS: Meu Palm Top morreu afogado neste dia inesquecivel! :o)

Tuesday, July 03, 2007

Recordar é viver....show da Elba...

Por Sandra Mezzalira Gomes
De Berlim

A última partida do 18° Torneio Mundial de Futebol será realizada às 21 horas de hoje quando a França enfrenta a Itália no Estádio Olímpico em Berlim. A Alemanha garantiu a terceira colocação ao vencer Portugal ontem, por 3 a 1.

A torcida comemorou até altas horas da madrugada e os jogadores estiveram hoje, domingo, na Fan Fest para agradecer o apoio. Tanto o saguão da Casa das Culturas do Mundo, a Fan Fest e a mini arena Adidas estavam lotados, com a maioria visivelmente torcendo para a Alemanha. Na mini arena, a sensação era quase de se estar realmente no estádio pela quantidade de bandeiras e gritos de guerra da torcida. Mais uma bela festa deste campeonato.

O colombiano Juanes, famoso pela canção "La camisa negra", garantiu o bom astral antes da partida da Alemanha contra Portugal, se apresentando por volta das 18 horas no local, em frente ao Parlamento alemão (Reichstag).

O show integra sua turnê internacional na qual está interpretando músicas do último CD "Mi Sangre". Na platéia, as variadas bandeiras mostravam a diversidade de nacionalidades. O cantor, que demonstra nas letras sua preocupação com a paz e confraternização, insistiu várias vezes para o público se sentir "como um único país já que falamos diferentes línguas mas somos todos iguais".

Num estilo mesclando rock, reggae, música popular e latina, tocou por cerca de uma hora e meia para uma platéia que dançou, cantou, aplaudiu e interagiu. "É um prazer gigante estar aqui em Berlim está noite", admitiu Juanes. Nem a chuva, que começou na segunda canção do "bis", atrapalhou. Se alguns "fugiram" da parte aberta do mini estádio, a maioria ficou para ver o espetáculo até o fim, se protegendo da água como podia, com guarda-chuvas, bandeiras e blusas.

Após a partida, às 23 horas, foi a vez da cantora brasileira Elba Ramalho mostrar sua boa forma na Casa das Culturas do Mundo (Haus der Kulturen der Welt), que abriu o concerto com „Sandália de Prata" e deu um dos espetáculos mais agitados desta Copa da Cultura. "Parabéns aos alemães pela vitória", lembrou a artista. "Chão de Giz", "Xote das Meninas", "Bate Coração", „Banho de Cheiro", "Ai, que saudade d’ocê" foram algumas das várias músicas do show.

Antes de interpretar "De volta pro meu aconchego", Elba perguntou quem estava com saudades do Brasil e emocionou a platéia, que cantou junto. Com mais de 50 anos, Elba demonstrou muita energia e fôlego, se movimentando praticamente o tempo todo das quase duas horas de show, contando ainda com um casal de dançarinos que participaram em vários momentos. Seu repertório trouxe um pouco da produção nordestina como baião, maracatu, xote, frevo, pastoril, caboclinhos e forrós.

Interagindo o tempo todo com a platéia, se deixou fotografar com várias pessoas enquanto cantava, permitiu que alguns casais do público dançassem no palco e até quando uma garota começou a jogar capoeira com Elba, ela demostrou conhecimento no assunto e arriscou um pouco do movimento mas depois, comentou: "Quando capoeirista se encontra, já quer dar ‘pernada’. Mas com este meu salto e minha saia, ia ser um desastre".

Foi possível conferir ainda seu talento no violão e na percussão, tocando triângulo e atabaque. Para quem não sabe, ela começou a carreira tocando bateria no conjunto "As Brasas", formado somente por mulheres em 1968, de acordo com seu website oficial.

Sunday, June 24, 2007

Luizão revela vontade de voltar para o Hertha Berlin

Por SANDRA MEZZALIRA GOMES e ALEXANDRE LOZETTI

O mérito da entrevista com o jogador Luizão é do colega Alexandre Lozetti que mora em São Paulo e trabalha para um grande veículo de comunicação especializado em esporte.

A pedido do Berliner Zeitung (BZ), Alexandre encontrou Luizão no Centro de Treinamento do São Paulo e realizou a entrevista a seguir.

O jornal alemão, que em março trouxe matéria com Alex Alves, está interessado na atual situação dos antigos jogadores do Hertha Berlin.

Luizão foi o segundo brasileiro que atuou pelo time e teve uma passagem rápida. Problemas com o técnico da época teriam inibido a vontade e criatividade dele, que agora negocia com o São Paulo mas não esconde a vontade de voltar para Berlim.

A tradução para o alemão foi feita pela repórter que redige este texto e a matéria foi publicada no último domingo, 17, com destaque, como a “entrevista do domingo”.

Colaboraram ainda neste trabalho o renomado fotógrafo Ari Vicentini, que “coordenou” o trabalho em São Paulo e Reginaldo Castro, o profissional que acompanhou Alexandre para registrar as imagens do Luizão.

A seguir, na íntegra e com exclusividade já que tal texto só saiu em alemão e na capital germânica, a reportagem com Luizão, por ALEXANDRE LOZETTI.

“No caminho para a entrevista, no Centro de Treinamento do São Paulo, Luizão distribui sorrisos. Brinca com os jardineiros, as funcionárias, o auxiliar de preparação física. Luizão é assim, alegre. A alegria que faltou ao atacante durante os dois anos que passou em Berlin. Apesar do bom apartamento, carros de primeira linha, adaptação de toda família à cidade e ao clima, faltava um detalhe: "Eu não era feliz porque não jogava. O treinador não tinha confiança em mim".

O treinador em questão é Hubb Stevens, o grande "inimigo" de Luizão em sua passagem pela Alemanha. Ao chegar, campeão mundial pela Seleção Brasileira, o atacante despertou sentimentos controversos. Ao mesmo tempo que era cercado de expectativa por ter conquistado o mais importante título do futebol mundial, recebeu uma cobrança que considerou desnecessária. Stevens o colocou no banco de reservas, algo até então inédito em sua carreira. "Não sei o que aconteceu, mas eu ganhava mais que ele. Talvez tenha sido ciúme".

Hoje, aos 31 anos, Luizão continua em bons apartamentos, com bons carros e ao lado da esposa, Mariana, e da filha Yasmin. Viver bem é uma característica do jogador. Mas a alegria também não está completa. As lesões, que tanto o atormentaram no Hertha Berlin, ainda incomodam. Em janeiro, o atleta operou o pé direito e segue em recuperação no São Paulo, clube pelo qual foi campeão da Copa Libertadores da América em 2005. No segundo semestre, Luizão deverá estar liberado para voltar aos gramados. Aguarda propostas e revela o desejo de voltar à Alemanha: "Gostaria de voltar e mostrar o verdadeiro Luizão, apagar a imagem que ficou na primeira passagem".

Mas o jogador, campeão inúmeras vezes na carreira, não carrega apenas más lembranças da capital alemã, ao contrário. A amizade com Alcir, tradutor do Hertha, os restaurantes, o respeito da população local pelo seu currículo... Luizão volta a Berlin sempre que pode. A última vez foi na Copa do Mundo de 2006. O atacante foi um dos homenageados da abertura, em Munique, e aproveitou para prolongar a estadia no país. "Aqui no Brasil, o reconhecimento só vem depois. Lá fora as pessoas respeitam sua história".

Planos? Luizão pensa apenas em continuar jogando. Garante que tem muito a mostrar dentro de campo, sobretudo aos que o consideram velho e sem condições físicas.


O que houve em sua passagem pelo Hertha? Por que não foi o que você esperava?

Quando cheguei a Berlin, fui muito bem recebido, não tenho do que reclamar. Era campeão do mundo e sempre cheguei jogando nos clubes em que passei. O jogador sempre precisa de uma seqüência para poder se adaptar. Você vai mal no primeiro, segundo, pode repetir no terceiro e quarto, mas no quinto você engrena.

E você não teve essa seqüência de partidas?

O treinador, Hubb Stevens, já me colocou no banco. Eu nunca tinha ficado no banco na minha vida por muito tempo, lá é uma cultura diferente. Ele ficava gritando no meu ouvido, fui perdendo a confiança.

Seu único problema foi o Stevens?

Não, as lesões também atrapalharam. Quando fiz o primeiro gol, tive que fazer uma cirurgia, no final da primeira temporada. Voltei, comecei a jogar bem e machuquei de novo. A primeira lesão foi na hérnia, a segunda no músculo da perna. E não curava nunca. Na Alemanha, há uma lei que o impede de receber após determinado tempo parado. Para não ter confusão, abri mão do meu contrato. Eles nem acreditaram, pelo salário que eu tinha. Pagaram o que me deviam e fui embora. No Brasil sou um ídolo, as pessoas me respeitam. Sabem que posso errar, mas a qualquer hora eu decido um jogo.

E com o treinador, o que exatamente aconteceu?

Logo que cheguei, comprei dois carros à vista. Ganhava mais que ele, apareci na capa do jornal. Isso talvez tenha colaborado.

A expectativa era grande por você ter conquistado a Copa do Mundo?

A expectativa era muito grande por eu ter o maior salário, ter feito um contrato milionário. Não sei o que aconteceu, não tive tranqüilidade. Não sei se era ciúme do treinador. Gostaria muito de ter trabalhado com o Falko Götz, que comandou a equipe há pouco tempo. Quando o Hertha me contratou, o treinador era o Götz, mas ele já havia sido demitido. O Alex Alves contava que ele passava confiança aos jogadores e, no futebol, isso é tudo. O Stevens não confiava em mim.

E sua adaptação à cidade, como foi?

Tive uma adaptação boa, fiz amigos, tinha um pessoal que me ajudava bastante. O Alcir, tradutor do clube, o Ronaldo, da embaixada brasileira. Freqüentei muito um restaurante espanhol, outro italiano, era amigo dos donos. Sempre volto a Berlin para passear. Não era feliz dentro de campo porque não jogava.

Ainda acompanha a equipe, ainda fala com os dirigentes?

Tenho amizade com o presidente Dieter Hoeness. O gerente foi um dos que ajudou na minha contratação, sempre nos demos bem. Acompanho o time sempre, sou bem recebido lá. Na última vez que nos vimos, o presidente esteve no Brasil, dei uma camisa do Flamengo a ele. Saímos para jantar, falei alemão com ele, ele nem acreditou.

Você fala alemão?

Nós éramos obrigados a estudar o idioma, mas quando eu brigava com o treinador, parava de fazer as aulas, por pirraça.

Era complicado se comunicar com os companheiros?

Não, tinha alguns brasileiros. Eu, Alex Alves, Marcelinho, Nenê, o Nando, que era angolano, o Roberto Pinto, português. Os companheiros gostavam de mim, inclusive os alemães. Eles respeitavam o que eu havia conseguido, tem muito valor ser campeão do mundo. Hoje falo mais com o Alcir, esse virou meu amigo.

Como era a rotina em Berlin?

Morava num apartamento bom, tinha carro bom, minha filha estudava numa boa escola. Frqüentava muito o restaurante Don Quixote. O dono me ajudou muito, lá eu tinha uma vida mais quente, fazia o prato que eu queria. Ia no Picolo Mondo, também, este italiano. Fazia meus passeios.

Levou toda a família para a Alemanha?

Foi todo mundo. Eu, minha esposa Mariana e minha filha Yasmin, que estava para completar um ano na época. Lá nós ficávamos muito juntos, o contato era constante. Elas também gostavam de lá, se adaptaram bem.

Sua filha foi alfabetizada em alemão?

A Yasmin chegou a estudar lá, aprendeu algumas coisas em alemão, mas em casa falávamos português. Então ela mesclava um pouquinho quando foi alfabetizada.

Você tem muitos amigos no Brasil. Em Berlin, os brasileiros eram tua companhia?

Quando o Nenê estava lá, a gente saía bastante, era mais escolado. O Alex era meio difícil, mais fechado. Não falava muito bem a língua e depender dos outros é horrível.

Houve algum problema com a dificuldade do idioma?

Uma vez, dei uma entrevista e saiu uma matéria em que eu não havia dito nada daquilo. Chamaram minha atenção no clube, o Alcir, que estava ao meu lado, comprovou que eu não tinha falado. Mas mesmo assim mantiveram a bronca.

Mas você falou bobagem mesmo, ou foi maldade do jornalista?

Foi maldade de quem fez a entrevista e do Stevens, que interpretou dessa forma.

E com o frio, teve problema?

O clima, para mim, era tranqüilo. Quando aqui está um, dois graus, lá são dez negativos. Mas aqui faz uma vez por ano, lá é freqüente. O dia acaba mais cedo. Mas nada disso me incomodava, só não era feliz dentro de campo.

Gostaria de jogar novamente em Berlin?

Gostaria de voltar e mostrar o verdadeiro Luizão, apagar a imagem que ficou na primeira passagem. Tenho vontade de voltar à Alemanha, sim.

E o Hertha seria o clube favorito?

Prefiro o Hertha para retornar. Mas jogaria em qualquer outro lugar, é que aprendi a gostar do clube, da cidade.

Alguns brasileiros têm problema com a religião quando deixam o país.

Sou católico de Deus. Acho que para conversar com ele, não precisa estar pregado à Bíblia ou à igreja o tempo todo. Então rezo, converso com ele sempre e mantenho minha fé.

Esteve na homenagem aos campeões mundiais, na abertura do Mundial?

Passei sete dias com minha mulher após a abertura da Copa. Foi muito emocionante estar no meio de campeões mundiais brasileiros e de outros países. Muitos, hoje, passam dificuldades, não têm o carinho das pessoas. Veja o Félix, na cadeira de rodas. Esse reconhecimento é muito bacana.

Conversou com alguém especial, de outro país?

Fiz questão de falar com o Mario Kempes, da Argentina. Acho que ele tinha um estilo meio louco de jogar, sabe? Combina um pouco comigo. Conversei com ele, com os outros argentinos, perguntaram minha idade. Eles também se espantaram que estou tão novo. Na época eu tinha só 30.

Esse reconhecimento deve ser muito valioso para um campeão mundial.

É bom ser reconhecido. No Brasil, isso só tem valor depois. Lá fora, tem muito valor. Se contarmos, não deve haver 200 campeões mundiais vivos no mundo inteiro. É um orgulho muito grande para quem conseguiu e é preciso haver muito respeito. Acho que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deveria arrumar um cargo para todos que foram campeões mundiais, cada um na sua cidade, ao menos para terem uma vida digna.

Em Berlin você tinha era respeitado como um campeão do mundo?

As pessoas vinham falar na rua, eu era muito respeitado. É gostoso viver em Berlin. Meu problema foi apenas com o Stevens. Ele queria me ensinar coisas que eu já não precisava mais aprender.

Você disse que lia jornais, revistas. Tentava se ambientar ao mundo alemão?

Lendo jornais, revistas, a gente aprendia um pouco da língua. Eu me interessava por isso e o clube nos obrigava a estudar, o Alcir era nosso professor. Mas eu parava nas brigas com o treinador.

Como está sua recuperação agora?

A minha recuperação melhora a cada dia. Lá fora o mercado está se abrindo, aqui há algumas especulações. Mas quando eu começar a fazer treinos com bola, aparecer mais, as pessoas vão se lembrar de mim.

Qual clube você tem mais prazer em ver jogar?

Hoje, gosto muito do Barcelona, do Milan, taticamente, e o Liverpool. Temos que tirar o chapéu para o Rafa Benítez, treinador do Liverpool, que sempre chega às finais com um time comum.

E o melhor jogador do mundo?

O Kaká, hoje, é o melhor. O momento dele é muito superior ao dos outros. Ele ficou muito mais inteligente com o tempo, aprimorou a arrancada, ganhou força física. É um jogador completo. Acho que poderia melhorar apenas o cabeceio.

Dos clubes do exterior que você atuou, qual te deu mais prazer?

O La Coruña foi o mais legal. No Nagoya fiquei pouco, apesar de ter jogado mais que no Hertha. Mas a Espanha foi o melhor lugar. A comida, as pessoas mais quentes, o clima. Lá foi uma passagem muito boa, dentro e fora de campo.

Depois de quase três anos, tem algum recado para alguém do Hertha?

Recado, não. Um convite. Gostaria que o presidente Hoeness viesse conhecer o Centro de Treinamento do São Paulo. A parte de reabilitação física, fisioterapia. É um modelo para todos os clubes do mundo.

(Foto: Reginaldo Castro)

Sunday, June 17, 2007

Papai é o maior, papai é que é o tal





Meu pai sempre gostou de futebol. Mas desde o tempo que viveu no sul do Brasil, virou quase uma doença, um “colorado” fanático.

Primeiro, após assegurar no contrato nupcial que minha mãe jamais se tornaria gremista, o apoiaria nas intermináveis horas assistindo às partidas e comemoraria as vitórias, quando fez suas três filhas, já garantiu em seu cromossomo as “células coloradas” assim claro, nascemos torcendo para o Internacional.

Conformado em viver rodeado por mulheres – coloradas, bom lembrar – deixou-nos "relativamente livres” para escolher nossa relação com tal esporte.


A mais velha, super feminina, delicada, limita-se a acompanhar a seleção na Copa do Mundo e a permitir que as células torcedoras do “Inter” continue em seu organismo. Aceita alguns chaveiros e lembrancinhas mas usar uma camiseta, só se for por uma IMENSA soma com as quais ela possa garantir outras roupas muito melhores ou um desejo extremo do meu pai, “ilustro” assim para mostrar que tem de ser uma situação MUITO insólita.

Eu, a sanduíche, das três a mais “estabanada”, gostava de esportes de forma geral e até arrisquei “bater uma bola” na praia na minha adolescência mas, vários torções no tornozelo e outros tombos no vôlei e basquete, me limitei a natação, ciclismo e caminhadas.

Assistir futebol? Tem fases. Quando me assumi Palmeirense nos inícios dos anos 90 e logo tivemos o bicampeonato (93, 94), uau, torcia mesmo, acompanhava! Sai da faculdade, passou um pouco a febre, o Palmeiras, cá entre nós e que nenhum corintiano leia isso, está meio capenguinha...mas o Inter, ah, deste sei tudo, querendo ou não! E torço SEMPRE!

Claro que já vesti, umas duas ou três vezes na minha vida, a camiseta! Só não foram mais porque realmente elas não são muito femininas mas quem sabe um dia meu pai não me dá um “top”, tipo blusinha e acredito que, principalmente nos dias atuais, usarei com mais orgulho que a do Palmeiras!

A mais nova, uma mistura de nós duas, veio com um pequeno defeito no gene e nasceu corintiana. Na verdade meu pai nem liga – eu, infelizmente sim – já que é nela que as células coloradas mais se desenvolveram – tanto que ela tem um top, camisetas e veste tudo!

E as células do futebol também afinal, se é pra defender o – me perdoem mas não posso evitar – (argh) “timão”, ela chega até a discutir (coisa que eu já encerro com a clássica “futebol, religião e política não se discute”).

Graças a Deus nossa educação também foi boa suficiente para nos amarmos muito apesar das diferenças e, exceto nos dias de jogo – se for clássico dos dois times, melhor uma sair de perto – raramente temos problemas no nosso relacionamento.

Este ano tive a oportunidade de sentir as células coloradas ainda mais ativas. Estive com meus pais no Beira Rio, tiramos fotos com as taças e foi emocionante perceber o interesse inclusive de estrangeiros no time, o orgulho dos torcedores gastando horrores com os mais variados produtos do Internacional, a bandeira e cartazes espalhados por toda Porto Alegre, São Leopoldo, Morro Reuters, Dois Irmãos....

Foi gostoso demais e acho que, neste momento, me contaminei com outra “doença” do meu pai, que ele claro, sempre controlou e disfarçou muito bem, com seu velho bom humor: me sinto desconfortável na presença de um gremista. Esta eu espero que não se desenvolva e fique só no nível de "tirar um sarro", afinal, futebol tem de ser visto como um esporte, uma brincadeira, uma paixão.

Agora, de todas as lições que aprendi nestes anos também com ajuda do esporte, a melhor foi sem dúvida: “papai é o melhor, papai é que é o tal”.

Sunday, June 10, 2007

Brasileira tem chance de mostrar cultura em telinha alemã

Fotos: Sandra Gomes
(a entrevista abaixo também está publicada no www.brazine.de)

Por SANDRA MEZZALIRA GOMES

Muitos brasileiros que vivem no exterior têm vontade de mostrar sua cultura. Para a paulista de Mirassol, Gilmara Rücker, de 29 anos, a oportunidade veio de uma forma saborosa e para uma grande audiência: ela participou do Das Perfekt Dinner, programa da rede de televisão Vox, e levou para a mesa pratos típicos (veja abaixo) da terrinha.

Pela primeira vez na telinha, a pedagoga Gilmara conversou com a reportagem revelando detalhes interessantes do bastidores, relatando sua experiência e constatando que valeu a pena afinal, além de ganhar cachê, conhecer novas pessoas, poder mostrar seus talentos e concorrer ao prêmio, ainda pode se comer uma semana de graça. Um prato, literalmente, cheio.




































B: Como você teve a idéia de participar do programa?

G: Conheci a esposa do diretor num curso de alemão e desde então somos amigas. Eles comeram várias vezes na minha casa e sempre me incentivaram a participar mas esperei até ter confiança para falar o alemão melhor. Eles praticamente me inscreveram (risos).

B: Depois de feita a inscrição, o que acontece?

G: Há uma entrevista inicial com a câmera e algumas perguntas básicas como saber se tem experiência em cozinhar, se costuma fazer comida para várias pessoas, etc. É como um teste para saber se a pessoa também tem condições psicológicas para participar porque o estresse é grande. Demora então umas quatro semanas para saber se foi aceito.

B: E dá para trabalhar na semana da gravação?

G: Fica difícil, precisa deixar a semana praticamente livre para eles, está no contrato. Eu até tentei ir na escola um dia mas fiquei acabada. A maioria tira a semana de férias mas compensa. Você recebe 300 euros para participar e ainda, 300 para o gasto com o jantar mas ninguém usa tudo. Eu gastei uma média de 200,00 euros mas também, comprei pratos novos.

B: O que mais está no contrato?

G: Entre outras regras que você tem de estar disponível para as filmagens, tem de cozinhar as receitas que prometeu fazer e tem de atestar estar livre de doenças contagiosas.

B: Eles entrevistam todos os dias?

G. Sim, para comentar o menu que será servido à noite. O que mais demora, na verdade, são as entrevistas. E eles fazem sempre umas perguntas meio sacanas, de forma que fale mal do outro, eles tentam provocar para ficar picante. Tive de tomar cuidado para não ser mal entendida principalmente por não dominar totalmente a língua.

B: Mas é isso que faz o programa ficar meio 'Big Brother”, não acha? E nesta hora, entre a entrada e o prato principal, que enquanto o anfitrião cozinha, os visitantes vão “xeretar”. Vocês que escolhem para onde ir ou é a produção?

G: Como expectadora gosto de observar como cada um cozinha, aprender novos truques, novas receitas, isso faz do programa autêntico, gosto deste lado. Já o “tour” pela casa são eles quem determinam. Eles observam o que você tem de interessante. No meu caso, só pedi para não mexer nas coisas do meu marido e eles respeitaram. Achei legal.

B: E no dia em que você cozinha, não há privacidade né?

G: Bom, ai vai das 8:00 a uma da manhã. No meu dia, uma quarta-feira, levantei às 6, já tomei banho e eles chegaram às 8:00. Pior que a casa estava toda arrumadinha e eles entupiram com os equipamentos enormes. Não imaginava que fossem tantos aparelhos. Eles ficam o dia com você mas não filmam o tempo todo, só quando se está começando a fazer os pratos. Eu não consegui comer nada neste dia, na verdade, uma semana antes eu já não estava dormindo direito.

B: Você cozinhou....

G: Fiz uma salada de palmito com figo, chicória e rúcula como entrada. O camarão na moranga como prato principal e a sobremesa foi o mousse de maracujá. Eles repetiram, acho que gostaram. O pessoal da equipe também gostou afinal, eles nunca comem e fiz o suficiente para todos. Acho que só brasileiro faz isso mesmo.

B: E você deu algum fora?

G: Eu me preparei muito para não errar nada, tava com medo de falar errado, apesar de não parecer, eu estava super nervosa. Deixei queimar uns pães e fiz um “erro geográfico” ao falar da minha decoração, um mapa do Brasil com suas divisas, mas não apareceu na TV. O pão eu consegui tirar antes que filmassem. O câmera ficou bravo porque eles adoram pegar os foras. (risos)

B: Onde ficou seu marido no dia? Ele gostou de você participar?

G: Ele sempre tem várias atividades e neste dia, após o ensaio do coral, ele foi jogar xadrez. As pessoas até podem ficar na casa se houver espaço mas não podem ser filmadas.
Ele me deu o maior apoio, me ajudou a pensar no melhor cardápio. Pensei em fazer feijoada mas achamos que poderia ser pesado demais, sem falar que a aparência dela é meia estranha. Já o mousse, é a sobremesa favorita do meu marido.

B: E como foram os preparativos?

G: Chamei uma faxineira para me ajudar com os “cantinhos” e deixar a casa perfeita, também é preciso ir ao local onde você irá comprar os produtos um dia antes para garantir que eles estarão lá e ainda, pedir autorização para filmar. Precisei de dois dias com a decoração, tive de pintar a tela, colar grão por grão, agora pelo menos ficou de lembrança.

B: Como foi o entendimento entre o grupo? Eles conseguiam pronunciar seu nome?

G: Virei “Mara” porque o Gilmara era muito complicado. Não foi um grupo super harmônico do qual eu ache que vá sair amizades. Rolou alguns 'bafões” nos bastidores, teve dia em que a comida estava ruim ou mesmo o ambiente não era nada higiênico.
Troquei alguns emails e telefonemas com eles mas não acho que passe disso. Teve uma pessoa que destoou bastante, teve problemas também com a produção, foi desagradável.

B: E a repercussão, as pessoas te reconhecem? (durante a entrevista um trauseunte a reconheceu)

G: Recebi uma média de 80 emails, praticamente só elogios. A maioria eram proposta de casamento, tarde demais, já sou casada (risos). Teve quem disse que o maior sonho é que eu tenha um programa na televisão alemã. Outros eram curiosidades sobre o Brasil e sobre minhas bijouterias. Não tive nenhuma reação negativa.
Percebi que a equipe estava torcendo por mim, um calor humano muito grande, é mágico ver a simpatia que se desperta por ser brasileiro. Reconhecem sim, no metrô, na rua, alguns falam, outros só sorriem. Até no aeroporto de Colônia um rapaz comentou: você é a Gilmara do “Das perfekt Dinner”, né? Torci por você”

B: Você teve algum feedback da comunidade brasileira? Além de você, a Jana Ina participou da versão para as personalidades (Das Perfekt Promi Dinner). Sabe de mais algum brasileiro neste programa?

G: Só teve um brasileiro que me ligou mas soube que há comentários em comunidades do Orkut. Até onde sei, só nós duas mesmo já participamos.
Gostaria de aproveitar para agradecer a Embaixada Brasileira pelo total apoio. Eles me deram livro de receita, Brazines, filme com imagens do Brasil, lembranças, livros lindos que dei como lembrança para os outros participantes, foi muito legal. Eu queria mostrar mais do nosso país e por isso procurei a Embaixada. Eles ajudaram em tudo que precisei.
Além disso tive a colaboração dos brasileiros Israel e Daniel, que cantaram MPB para meus convidados. Um agradecimento especial ainda à duas amigas que indicaram e fizeram os contatos com os cantores, a Carla e a Nara.

B: Você participaria de algum outro programa?

G: “Wohnen nach Wunsch” e “Nur die Liebe Zählt”.

B: E no fim você dividiu o prêmio com a alemã. Achava que ia ganhar? O que fez com o dinheiro (750,00 euros)?

G: O dinheiro chega duas semanas depois da filmagem. Paguei uma parte da minha passagem para o Brasil agora no meio do ano. Se contar com os erros que não apareceram, me daria um “5”.
Mas depois do jantar aqui em casa, tinha a sensação que podia sim vencer, afinal, fiz a caipirinha ao vivo, mostrei nossa cultura de forma diferente, fiquei confiante. Mas quando ganhei mesmo foi inacreditável. Valeu a pena, foi uma ótima e rentável experiência.


Algumas curiosidades reveladas por Gilmara:

*No primeiro dia da filmagem, as pessoas se conhecem cinco minutos antes do início da gravação, ao serem “equipadas” com seus microfones.

*O dinheiro que aparece no prato para o vencedor final, os 1500 euros, é de plástico.

*O carro no qual os participantes decidem o número de pontos é uma espécie de furgão que funciona como um estúdio e dá a volta no quarteirão para registrar as cenas. “Temos apenas seis segundos para falar, é tudo muito rápido”.

*Para voltar pra casa, eles recebem um cheque extra e, quando o jantar acaba, já encontram seus devidos táxis na porta.

*Três equipes se revezam para as gravações, uma média de 15 pessoas.

Ficha técnica

O que é “Das Perfekt Dinner”?

Uma das produções mais popular da Vox, a idéia consiste em reunir, a cada semana, pessoas de diferentes profissões que gostem de cozinhar e se disponham a preparar o melhor jantar para os outros. Eles se avaliam entre si, contando pontos para a qualidade da comida, a decoração, o ambiente, a receptividade do anfitrião, a originalidade, etc.

Mais informações sobre o programa no site da Vox: http://www.vox.de