Thursday, February 12, 2009

Brasileira grávida de gêmeos é espancada por neonazis na Suíça e perde bebês

Provavelmente se a advogada pernambucana Paula Oliveira de 26 anos não tivesse conversado com sua mãe em português pelo celular, seus bebês estariam vivos.

Parece absurdo, e é, mas infelizmente, é realidade.

De acordo com a imprensa brasileira, já que a imprensa suíça teria "abafado" o caso até agora, Paula foi atacada nesta última segunda-feira em Zurique por três skinheads que a espancaram e marcaram com diversos cortes no corpo, alguns inclusive lembrando as iniciais do partido SVP, de extrema direita (a história relatada pelo Estado completa abaixo assim como links para outros veículos de comunicação sobre o assunto).

Difícil dizer a origem de Paula mas por ela ter conversado em língua estrangeira, teria sido identificada pelos agressores que decidiram "fazê-la sofrer". Os jornais brasileiros exibem fotos do corpo dela todo marcado.

Pior ainda a reação da polícia que hesitou em aceitar imediatamente a versão da advogada, "desprezou" as autoridades brasileiras que foram atrás do caso para ajuda-lá e contou com o apoio da imprensa local que teria omitido o assunto do noticiário.

Grávida de gêmeos de um suíço, ela se preparava para casar e criar sua família. Agora, perdeu os bebês e fica a pergunta se ainda conseguirá viver num país que, apesar de considerado de primeiro mundo e civilizado, mostrou ao mundo também abrigar "acéfalos" e criminosos que merecem ser devidamente punidos.

Confira agora o texto publicado ontem no Estado de São Paulo on line e outros links para a reportagem na Folha http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u502560.shtml e na Globo http://oglobo.globo.com/pais/noblat/#160714 :


http://www.estadao.com.br/internacional/not_int322281,0.htm

"SÃO PAULO - A advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi atacada em Zurique por um grupo de skinheads na noite de segunda-feira, 9. Funcionária do conglomerado econômico dinamarquês A P Moeller/Maersk, ela foi levada às pressas para um hospital suíço e nesta quarta recebeu a visita de seu pai. Segundo o Itamaraty, Paula estava no terceiro mês de gravidez de gêmeos, e acabou perdendo os bebês.

O caso ganhou contornos políticos depois que a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, constatou que a polícia suíça sequer abriu investigação para identificar os agressores. "Trata-se claramente de um ataque xenófobo", afirmou Vitória, que hoje vai até o escritório central da polícia exigir esclarecimentos. "Se for necessário, levaremos o caso às mais altas instâncias", acrescentou, indicando que o Itamaraty pode pedir também explicações à Embaixada da Suíça em Brasília.

Nos últimos meses, ataques xenófobos têm ganhado força na Europa diante de um discurso cada vez mais racista dos partidos de extrema direita. Na Suíça, a crise financeira internacional e o aumento do desemprego deram popularidade aos partidos políticos que defendem medidas contra a imigração. Casos de ataques contra estrangeiros aumentaram, mas, até agora, os brasileiros não eram os alvos preferidos - as principais vítimas são imigrantes turcos, ex-iugoslavos e africanos.

Paula, uma pernambucana de 26 anos, trabalha na multinacional Maersk e, segundo o Itamaraty, vive legalmente na Suíça. Ela foi atacada quando voltava do trabalho, após desembarcar na estação de trem perto de sua casa. Paula falava ao telefone celular com a mãe, que estava no Recife, quando foi cercada pelos três skinheads.

Levada para um parque, foi espancada por 15 minutos e teve sua roupa parcialmente arrancada. Um deles usou um estilete para cortar barriga, braços e pernas. "Ela ficou marcada em várias partes do corpo", disse a cônsul.

A diplomacia brasileira criticou o comportamento da polícia após a agressão. Isso porque, ao prestar queixa, Paula foi interrogada pelo detetive Andreas Hug - ele duvidou de sua versão, querendo saber se ela não teria se autoflagelado. Paula disse que um dos agressores tinha uma suástica tatuada no corpo.

A cônsul também passou por uma situação constrangedora ao telefonar para a polícia. A delegacia local apenas a informou que, se quisesse saber detalhes da agressão, que perguntasse à vítima. Por enquanto, familiares disseram que ela permanecerá no hospital local. Em breve, ela deve voltar para o Recife.

Paula é filha de Paulo Oliveira, secretário parlamentar do ex-governador de Pernambuco e deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE). Os pais da brasileira chegaram ontem a Zurique e hoje pretendem buscar informações sobre a investigação

Referendo

O que mais chamou a atenção do Itamaraty foi o caráter xenófobo do ataque, já que a brasileira não teve nada roubado. A cônsul quer que a marca do SVP no corpo da brasileira seja investigada para saber se se trata de um ataque premeditado. "Queremos saber se foi algo organizado ou apenas um bando de loucos racistas", afirmou.

O SVP é atualmente o maior partido da Suíça e vem ganhando espaço político. Entre suas propostas está o limite na nacionalização de estrangeiros, o fechamento das fronteiras para trabalhadores imigrantes, a proibição de construção de mesquitas e maiores dificuldades para refugiados.

Na véspera do ataque, a Suíça realizou um referendo para decidir se autorizava a entrada de trabalhadores búlgaros e romenos. A abertura saiu vencedora por uma margem pequena - mostrando como o país está dividido em relação aos estrangeiros.

(Matéria atualizada às 20h45)"

5 comments:

vidaloka said...

noticia mui rapida e eficaz !!!
brasileiros tratam estrangeiros do melhor jeito possivel e são tratados como insetos pelos os mesmos !!

Anonymous said...

Olá, Sandra!

Procurando por notícias sobre o episódio, encontrei seu blog.
Leio aqui no Brasil, por meio dos sites do Uol e Terra, que autoridades suiças estariam desconfiadas de que o ataque dos skinheads seria na verdade uma "simulação" por parte de nossa conterrânea...até que ponto isso poderia ser verdade e que motivos teria ela para isso?

Um abraço,

Sérgio

Sandra Mezzalira Gomes said...

Obrigada! :-)

Pois é, claro que tem muito estrangeiro que gosta de brasileiro e trata super bem, assim como também tem brasileiro que nos envergonha com suas atitudes, generalizar é sempre perigoso...

Mas se olhar "proporcionalmente", tenho a sensação sim que tratamos muito melhor quem nos visitas do que somos tratados por vários anfitriões...

Sandra Mezzalira Gomes said...

Oi Sérgio, só agora vi seu comentário....

eu acho um absurdo a polícia falar isso!!!

Sinceramente, quem se mutilaria e perderia os bebes deste jeito? Tudo bem que tem muito maluco neste mundo mas a princípio ela é vítima e tem de ser tratada como tal!!

Há algum indício que a pessoa possa ter simulado isso, aí sim pode se cogitar o assunto...

Qual o motivo que eles estão alegando para ela fazer isso? Vc teria o link de alguma destas notícias para postarmos aqui? (vou dar uma pesquisada também...)

Agora fiquei curiosa mas minha intuição e todos os indícios até agora tendem para concluir que este comentário é um absurdo e se eles tiverem errados deveriam se desculpar!!

Inclusive porque parece que nem ocorrência eles queriam registrar no início!!!

Um abraço e obrigada pelo comentário. :-)

Sandra Mezzalira Gomes said...

Reproduzo aqui o comentário de uma brasileira, feito num fórum de brasileiros na Alemanha, sobre o caso:

"Em 2004 teve um caso de uma turca grávida de 6 meses que foi atacada no Krampusnacht, aqui em Munique.

Ela perdeu o bebe. O caso nao teve muita repercussao, umas notícias diziam que o bebe já estava morto quando ela foi atacada, outras lancavam a idéia de que o bebe podia ser de uma relacao extra-conjugal e na verdade os agressores podiam ser mandados pela família...vamos ver o que os suicos falam da brasileira, se chegarem a falar alguma coisa. Nao espero muito respeito pela vítima"